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Por iniciativa da consultoria Massimus, ocorreu em Manaus, dia 2007-08-14 a partir das 20hs na sede da FGV uma palestra sobre desenvolvimento ágil, com tema Agile Estimating and Planning.

A palestrante foi Martine Devos, já conhecida do meu tempo prestando serviço para a BenQ-Siemens. Infelizmente os links para download dos slides no site da consultoria estão quebrados, porém os tópicos apresentados passam pelos abaixo.

  • Características do bom planejamento
  • Problema da pirâmide Escopo x Prazo x Custo
  • Exemplo de criação de estimativa ágil

O mais bacana dessas palestras sobre metodologias ágeis é perceber a reação da platéia, que frequentemente espanta-se ao encarar alguma definição ou processo totalmente diferente do que as disciplinas tradicionais de gerenciamento prezam - gerenciamento v1.0 ou industrial, como tenho visto em alguns lugares.

Pessoalmente, chamaram-me a atenção dois pontos, um sobre convergência na estimativa de tarefas e outro sobre mensuração de tarefas desconhecidas/inovadoras (como as wildcards do livro do Bruce Eckel).

Na primeiro, expus minha dúvida sobre a melhor maneira de proceder quando a equipe não chega num consenso quanto a estimativa de uma tarefa. A sugestão foi simples e direta: estimar em equipe consiste em fazer as perguntas certas sobre o problema atacado, de modo a quebrá-lo cada vez mais em problemas menores e consequentemente mais fáceis de estimar. Nada de fórmula mágica ou insegurança subjetiva, somente o bom e velho dividar pra conquistar que todos que já desenvolveram software já estão cansados de ouvir falar.

No segundo, pedi orientação sobre como uma equipe novata ou com pouca experiência no assunto do problema a resolver pode melhorar a qualidade de sua estimativa. Achei o método apresentado fantástico. O segredo é basear-se numa estimativa de algo conhecido - ou seja, estimativa de maior qualidade - e confiar na capacidade do cérebro de associação. Na prática, não se diz que uma tarefa pouco familiar X dura tantas horas, mas sim que essa mesma tarefa pode durar 3 vezes o tempo da tarefa Y, que se conhece muito bem.

Vale também lembrar que as práticas ágeis permitem refinamento com o passar do tempo, ou seja, quanto mais iterações houverem e mais histórico sua equipe construir, maior será a qualidade de suas estimativas. Aprende-se e agrega-se este aprendizado dentro do próprio projeto.

Parabéns ao pessoal da Massimus, Martine, Heitor Roriz e Mario Tomaselli, pela iniciativa. Acho muito importante trazer esses conceitos de ponta pra uma região tão cheia de projetos de software como o Pólo Industrial de Manaus, pois tenho muita fé que essas idéias trarão uma grande melhora nas condições de trabalho locais e na qualidade dos produtos desenvolvidos.